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    Manual de Moda e Estilo para Advogados


    Nos defeitos, qualidades

     Joelhos grosseiros. Olhos exageradamente separados. Pescoço grosso. Seios minúsculos. Dentes tortos. Nariz com ponta caída. Pés tamanho 42. Traseiro sem muito recheio. Mãos com dedos grossos. De posse dessas informações, você pode achar que estou falando de alguém, no mínimo, muito feio ou deselegante.

     

    Agora eu lanço outra informação: Jacqueline Lee Bouvier Kennedy Onassis. A dona das tais características físicas que acabei de descrever.  E é por isso que lanço o desafio: o primeiro passo para ser elegante é saber quais são os seus defeitos, para ocultá-los devidamente. E a regra número um é pegar um papel e, de frente para um espelho, listar todas as imperfeições do seu corpo. E a segunda regra consiste em trabalhar para esconder esses defeitinhos. E juro, ninguém precisa de cirurgião plástico para isso – basta atentar a algumas dicas e conselhos para melhorar o que Deus, em sua infinita generosidade, nos concede. Jackie, como podemos observar, não era uma mulher perfeita, mas, sim, muito inteligente. Era rica, e isso ajudou a comprar roupas e sapatos, mas tenho certeza de que, mesmo sem um tostão, ela daria um jeito de ser melhor. Vamos aos seus segredos? Mas junto aos macetes, as

     fotos que escancaram as citadas características...

     

    Os joelhos ela escondia sob saias que acabavam logo abaixo deles.  Não nesta foto, claro.

     

    Os olhos separados ela os mantinha domados em seus famosíssimos óculos escuros gigantescos, as sobrancelhas grossas e as laterais do cabelo sempre levantadas, para chamar a atenção para as têmporas.

     

    Seios pequeninos eram escondidos em blazers e vestidos fechados, camisas com babados ou bolsos grandes e spencers em formato quadrado. Ou então, devidamente postos em tomara-que-caia.

     

    O pescoço grosso ganhava colares de pérolas de três voltas, sempre com cabelos que batiam, no máximo, nos ombros, e decotes careca.

     

    Os pés gigantescos tinham sapatos italianos sob medida ou Manolo Blahnik (sim, Carrie Bradshaw teve sua precursora!).

     

    E as mãos estavam, sempre que possível, envolvidas em luvas, com unhas sempre curtas. 

     

    Ela sabia que nunca seria um símbolo sexual, que jamais seria chamada de gostosa (ela deixou a tarefa para Marilyn Monroe). Mas trabalhou seus defeitos com toda a sabedoria e recursos à sua disposição. Tudo isso, incluindo seu peso proporcional, seu porte altivo e seus modos delicados, fizeram dela uma mulher bonita e inspiradora, como todas nós podemos ser. 

     

    Patrícia Poeta, aquela lindeza do Fantástico, só usa vestido no joelho, pois sabe que isso disfarçará suas pernas e coxas grossas. Carolina Ferraz tem seios que mais parecem ovos fritos, mas ela parece uma deusa grega nos seus decotes e transparências delicadas. Sabrina Sato, com seu corpo escultural e sua simpatia, é generosamente servida no assunto “nariz”. Fátima Bernardes possui ombros caídos de dar dó, ocultados pelas ombreiras dos blazers. Laura Pausini tem quadris de lavadeira, que Armani ajudou a domá-los corretamente. Luiza Tomé tem pernas simplesmente horríveis, tortas e desengonçadas. Kate Moss tem os joelhos mais medonhos que eu já vi na vida. Gisele Bündchen esqueceu-se de passar pela fila da cintura e do bumbum, o que faz dela uma professora na arte de empinar o traseiro. Finalmente, Angélica tem uma testa fenomenal, grande o suficiente para que mosquitos façam dela um tobogã (entendeu por que ela usou a tiara daquele jeito no dia do seu casamento?). Sobre cada uma das citadas, falarei no momento oportuno, bem como a arte de disfarçar defeitos.

     

    Eu sei que não dou sustos em ninguém na rua, mas é obvio que conheço minhas limitações. Sou baixinha (1,57m), tenho a ponta do nariz caída, uma testa que compete com a da Maria Bethania (e da Angélica, of course!), o meu dente é tortinho e tenho um bigode chinês que me incomoda há algum tempo. Tento ganhar alguns centímetros a mais com saltos altos, roupas monocromáticas e justas, e para caber nelas procuro sempre me manter magra o suficiente. Como tenho cabelo ondulado (ah, o meu cabelo é o meu xodó!) e não podendo usar franja sem virar escrava da escova, mantenho aquele franjão jogado para o lado, bem maluquinho. Agora, quanto ao dentinho torto e ao bigode chinês, a única coisa que posso fazer é meter batom vermelho na boca e sorrir. E contra o nariz (pequeno, mas levemente adunco) brincos grandes, além de uma dose extra de autoaceitação. O mais difícil foi aceitar a imperfeição do nariz, já que meu perfil não é a sétima maravilha do mundo. Eu não aceitava isso em mim, pois minha mãe é dona de um dos narizes mais lindos que já vi na vida, arrebitado e desafiante – a genética, na questão otorrina, me levou ao lado calabrês e siciliano do meu pai, justo nisso. E para se ter uma idéia de até onde pode chegar a cretinice alheia, alguns com quem topei pela vida fizeram questão de caçoar do meu nariz, e com isso, triturar minha já baixa autoestima (cumpre ressaltar que os “humoristas” em questão não podiam classificados como belos na estética, menos ainda na alma). Muitas mulheres bonitas têm o nariz desse jeito: Luiza Brunet, Patrícia Pillar, Fernanda Tavares, Maria Callas, Stacy London, Rachel Weiz, Diana Kruger, Laura Pausini, Isabella Rosselini, Sabrina Sato, Grazielle, Gisele Bündchen... não existe beleza apenas no nariz arrebitado. Eu sou uma mulher de muita personalidade: o meu nariz também tem, ora, pois! A qualidade do ar que eu respiro, dos cheiros que eu sinto, é muito mais importante do que o formato do meu nariz. Há muito mais no meu rosto, no meu corpo e no meu espírito para fazer a alegria do povo além de um narizinho cirurgicamente construído. Pode ser que um dia baixe uma Malu Mader em mim e eu decida mudar, mas, por enquanto, eu ainda me aceito. 

     

    Compreenderam, classe? Elegância é a arte do ilusionismo. E, uma vez que a elegância é um dom mágico, sinta-se à vontade para ocultar seus defeitos, para fazer deles seus pontos fortes. Porque, cá para nós, força é o que não falta em todas nós. E, sim, um grande amor que leva nosso ego às alturas, também é de grande valia...

     

     

     

     

     



    Escrito por Pingeot às 20h21
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