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    Manual de Moda e Estilo para Advogados


    elegância X bolso

    Muitos profissionais, principalmente os estagiários, reclamam que precisam usar roupas elegantes, mas que os salários (que muitas vezes não passa de uma magra ajuda de custo, suficiente para custear apenas o transporte e um lanche diário) não permitem gastos em roupas adequadas. De fato, o que é melhor custa mais, mas sempre há alternativas elegantes para salários minguados. E acredite, dá para achar roupas bonitas a preços mais camaradas.

    Nunca fui contra as lojas populares, como as da rua José Paulino e as do Brás. Aliás, fui e sou cliente de algumas, mas tomo todos os cuidados do mundo para não comprar besteira. Já tenho algumas lojas preferidas, cujo estilo e modelagem combinam mais com o padrão advocatício (sim, tem lojas especializadas em "terceira idade" ou no "look gospel"...). Veja, então, dicas para comprar bem nesses paraísos do bom preço:

    1) Atenção às numerações: não se oriente muito pelas medidas P-M-G, 38-40 e por aí vai. As medidas variam muito de uma confecção para outra, e o que é 38 às vezes só cabe num corpo 36. A  confusão fica maior ainda pois poucas lojas permitem que se prove a roupa, embora sejam obrigadas a trocar a numeração errada, o que só é permitido durante os dias da  semana. Leve as medidas de cintura, quadril e busto sempre consigo, num barbante que não estique.

    2)  Cuidados com as liquidações: como sempre diz minha sábia mãe, não existe almoço de graça. Quase sempre as liquidações escondem peças com defeito, ou que já saíram da moda. Já que você está comprando mais barato, valorize seu dinheiro e invista em peças clássicas, mas de qualidade menos discutível.

    3)  Minhas primas portuguesas, quando vêm nos visitar, morrem de rir do tamanho dos armários brasileiros. "Para que tão grandes?", elas nos perguntam, e com toda a razão. Europeu tem uma estratégia que poderia muio bem ser aplicada à nossa vida: comprar pouco, mas comprar direito. É melhor gastar um pouquinho mais, em peças de qualidade indiscutível, do que se enveredar em peças baratas, que durarão apenas uma estação. Lembre-se: o preço de uma roupa dilui-se no número de vezes em que ela é usada.  

     

     



    Escrito por criscastro às 20h08
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    Não cansei de ser sexy

    Caros colegas, falarei de um assunto muito espinhoso. Muitas profissionais, na grande maioria competentes e inteligentes, por carência ou baixa autoestima, confundem a elegância com a sensualidade. Ou, pior ainda, acham que a saída para ser sexy é a exposição exarcebada dos predicados corporais, na forma de decotes, fendas, cabelos esvoaçantes, barriga de fora, roupas justas, maquiagem exagerada, jóias em excesso, ou tudo isso junto, em pleno ambiente. A impressão que tenho de algumas colegas é que são strippers, prontas  para fazer a dança do poste a qualquer momento.

    Queridas, sensualidade é muito mais do que pele à mostra. É a atitude, o olhar, o cheiro, a gentileza, e principalmente, a inteligência. Uma mulher pode e deve ser sensual, mas tudo tem lugar e hora. Na hora do trabalho, precisamos é ser competentes, trazer resultados para nós e para nossos clientes. Eu até posso ser sensual, mas isso é uma consequência da minha postura, das minhas atitudes. Uma mulher divertida, educada, gentil, cortês, solícita e competente sempre o será, sem precisar rebolar ou oferecer sua disponibilidade a qualquer custo, a qualquer um. Quando vejo uma barriga de fora no fórum (e desculpem o trocadilho, quase sempre fora de forma), entendo aquilo como um "preciso ser sexy, o tempo todo, pois não sou nada mais além disso". É duro ver que uma mulher bonita poderia ser muito mais do que só bonita, e não o faz por pura insegurança. Por achar que só uma barriga de fora, pernas de fora, peitos de fora a caracterizam como mulher.

    No ambiente profissional, não somos homem nem mulher. Somos profissionais, prontos a resolver pendências judiciais e sermos a solução para os problemas dos nossos clientes. Não é necessário vestir um hábito para ser levada a sério. Basta se vestir adequadamente, com equilíbrio. Vestiu uma saia no joelho? Coloque uma camisa bonita. Está com os braços de fora? Uma calça de alfaiataria resolve. Está com um terno seríssimo, coberta até o pescoço? Dá para ousar com um peep toe nos pés. É tudo uma questão de autoconhecimento, do próprio corpo e da sua imagem no mercado.  E , minha querida, se você conseguiu passar no exame da OAB, ou em qualquer outra prova, é porque, definitamente, você não é idiota. Portanto, não se vista como tal. 



    Escrito por criscastro às 17h29
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    Tudo pelo social

     Para conversar com o Chefe de Estado, a bailarina Sheila Melo (nunca sei a diferença entre uma Sheila e outra) escolheu um "discreto" terno com um decotaço de tirar o fôlego de qualquer petista, combinado a uma calça justa que marcava sua genitália. Conseguiu tudo, principalmente ser vista. Só não convenceu como pessoa séria. Elegância não é envergar um terninho: é saber usar o terninho certo, na hora certa. E se ela tinha algo a dizer, ninguém ouviu, diante desse decote. Fico pensando no próximo encontro com o próximo presidente, quando ela não terá muito o que mostrar, e menos ainda a dizer.

    Escrito por criscastro às 17h02
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    Eu sou da sua turma?

    Pense em pessoas que mudaram o mundo. De Gandhi a Napoleão, de Julio César a Churchill, todos são lembrados não apenas por seus feitos, mas também pelo que vestiam. Não, não ria. Não sou uma maluca desesperada por aprovação ou por moda. É a mais absoluta expressão da verdade. Ao pensar em Jackie Kennedy, seus pensamentos se voltam para as artes ou a cultura? (deveriam, pois ela foi a responsável pela revitalização da Casa  Branca e da Grand Station, em Nova York), mas o que vem à mente são os grandes óculos (que estão na moda) e o tailleur impecável (o uniforme da advogada elegante). Ao pensar em Napoleão, pensa-se no modelo do chapéu e na capa com botões dourados. Portanto, quando se fala de advogado, juiz, promotor, o que se forma é a imagem do homem de terno, da mulher de saia e paletó. Eis a nossa imagem. E não dá para dela fugir.

    Eu sei, o mundo jurídico está cheio de gente bem-vestida que não disse a que veio. Mas dificilmente você vai ver um bom advogado usando farrapos. Sim, falamos através de roupas, de acessórios. Veja só o exemplo clássico dos óculos. Quando se pensa em alguém inteligente, visualiza-se alguém de óculos (o personagem Dexter seria um gênio sem os seus?). Isso é um código. Uma mulher competente? Tailleur, na cabeça. As roupas dizem quem somos. Vestir-se bem é um processo educativo, e numa escala de valores a serem aprendidos, quase sempre ela está em último lugar, por ser considerada uma superficialidade. E não é, absolutamente. Eu acho mais do que louvável se destacar na multidão, mas em doses sutis, para que ninguém se sinta agredido. Eu me sinto sinceramente agredida com uma mulher vestida de forma vulgar, perfume enjoativo, unhas quilométricas, com um homem de cabelo sujo, terno mal-cheiroso.

    Quando alguém se arruma com esmero para trabalhar, diz claramente: "Eu gosto do que faço". Ao adotar o mesmo código usado pelos colegas, o profissional quer dizer: "Eu compartilho dos mesmos ideais que eles". É importante criar um estilo próprio, mas, pelo menos no início da carreira, é oportuno seguir mais ou menos o padrão adotado pela profissão, com sutis variações. Ao conquistar os objetivos, o profissional tem a opção de adotar ou criar um estilo, ou mesmo de prosseguir com a linha adotada, sem agredir ninguém. Isso é liberdade. Seja livre, mas tenha cacife para isso.



    Escrito por criscastro às 16h49
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    Síndrome de Ratinho

    Quem não se lembra do inesquecível figurino de Carlos Massa, o Ratinho? Fora a péssima qualidade dos ternos (microfibra, nem vou falar nada), era sensacional ver a combinação de cores que ele fazia. Eu sempre tive a impressão de que era um daltônico que escolhia as gravatas e camisas do coitado, tamanha a confusão de tons: gravata rosa com camisa goiaba, camisa vermelha e gravata azul, e por aí ia. Fora o cinto que nunca, mas nunca mesmo, combinava com  o sapato. O programa fez muito sucesso, mas hoje, o apresentador encontra dificuldades para voltar à televisão. Não é considerado um apresentador "sério".

    Cansei de ver advogados assim. Certa vez, numa audiência trabalhista, chegou o advogado do empregador. Terno amarelo num xadrez esquisito, camisa laranja e gravata meio ferrugem. Parecia o Chico Bento pronto para ir à quermesse com a Rosinha.  O juiz se levantou e disse que ia ao banheiro. Ninguém me tira da cabeça de que ele foi rir no banheiro. O empregador não ganhou a causa, muito pela falta de razões, muito pela falta de seriedade demonstrada pelo seu causídico. Quem disse que não falamos através de roupas? Quem não se veste de maneira séria não pode ser tratado por pessoa séria, esse foi o recado dado pelo magistrado.

    Rosana Chiavassa é outro exemplo da importância que o vestuário pode influir positiva ou negativamente na carreira. Advogada brilhante, com intensa atuação em Direito do Consumidor, considerada uma profissional competente, mas precisou de um esforço descomunal para convencer os eleitores que tinha qualificações para ser a primeira presidente da OAB de São Paulo. Em entrevista antiga à revista Claudia, ela se  destacava por ser uma advogada que fugia aos padrões estéticos exigidos pela profissão, portanto unhas pintadas de azul, jóias barulhentas e cabelos volumosos, sempre portanto roupas descontraídas e coloridas. Em pé de igualdade com os outros candidatos, foi derrotada pelo atual presidente, Luiz Flávio Borges D´Urso, sempre elegante em ternos bem-cortados e com a postura domada por aulas de teatro. 

    Reza a lenda que um talentoso  especialista em Direito Societário usava um terno cor-de-rosa no início da carreira. Sim hoje ele é um dos mais bem-sucedidos profissionais na sua área, mas sabemos muito bem que ele é a exceção. Quem não tem um pai advogado, não trabalha numa grande banca, não tem mentor precisa mais do que qualquer um mostrar que é qualificado, competente e dinâmico.  E um dos fatores que podem ajudar é o vestuário. Não é uma regra concebida por mim, é a pura explanação da  realidade. Se assim não fosse, para que os consultores de imagem? Não, imagem não é tudo. Conteúdo é tudo. Mas ajuda bastante.



    Escrito por criscastro às 16h02
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    Sen sangue, sem suor, sem lágrimas

    Nunca  vou esquecer essa cena. Num calor que beirava os trinta graus, no elevador do Tribunal de Justiça, eu, de vestido leve, cabelos presos para aliviar o calor no pescoço, e entra o desembargador esbaforido, toga preta (!) de tecido sintético (!!), com um jabô de renda arranhando o pescoço (!!!). Por timidez e pudor profissional, raramente extrapolo o  "boa tarde", não me atrevo a tecer comentários tolos típicos de elevadores. Mas eis que ele olha para mim e diz: "Minha filha, nesse dia de calor africano, a senhorita é a imagem da felicidade". Sai e me deixa boqueiaberta com o comentário, e principalmente, com pena do pobre juiz. De certo, por baixo da toga, o coitado usava um terno, e mais certo ainda, era um terno escuro. E a inesquecível cena me faz refletir: como trabalhar com eficiência em dias de calor?

    Nossos códigos profissionais não nos permitem ultrapassar a fronteira do sisudo. E desde que o mundo é mundo, sisudo no vestir se traduz por cores escuras, modelagens impecáveis, ternos bem-cortados. Nada esvoaçante, nada muito colorido, nada que desvie a atenção. Também concordo que o Direito exige uma apresentação impecável; contudo, esse "impecável"  não resiste ao sol do meio-dia, ao vai-e-vem dos transportes públicos, à refrigeração deficiente dos cartórios e salas de audiência. E nada mais desagradável que marcas de suor na roupa ou, pior ainda, nos autos. Quer dicas para aguentar o calor e se manter elegante até o fim do dia?

    1) Escolha bem os tecidos
    Dê sempre preferência às fibras naturais. Para camisas, nem se discute isso, tudo de cambraia, tricoline ou oxford (é só ler a etiqueta, tem de ser 100% algodão). Mas, pelo amor de Deus, não use linho. Linho amassa depois de dez minutos, no corpo, isso se você passar 24 por dia em pé), dá um trabalhão para passar e não combina com a seriedade dos ternos. Quanto aos ternos, sempre a lã fria, ou outros tecidos recomendados para o verão (delete a palavra "microfibra" da sua memória, ela é feia, brilha e esquenta a ponto de parecer inflamável). Dentro do escritório, há a opção de dobrar a manga da camisa e de não usar gravata, mas no fórum, não há escapatória senão aguentar firme e rezar para que o ventilador fique bem perto de você. A não ser que você queira ser confundido com o gerente do McDonald´s ou um mórmon pregador, não use camisa de manga curta, menos ainda acompanhada de gravata.

    Já as mulheres têm uma gama de opções maior, o que pode ocasionar em erros ainda maiores. Evite ao máximo os tecidos sintéticos, dando preferência à viscose, à malha, à sarja ou tricoline e gabardine. Braços só podem ser mostrados se forem magros e sem flacidez. Blusas de alças finas são um verdadeiro perigo, pois podem a qualquer expor as alças do sutiã. Uma blusa ou camisa de tecido natural em cores claras sempre será uma solução mais elegante, acompanhada de uma calça de tecido leve ou uma saia comportada. Vestidos com decotes discretos também são excelentes opções. Não caia no erro (absurdo) de usar o blazer com bermuda, por mais comportada que seja. Bermuda é bermuda, é roupa de passeio, não de trabalho. Calça capri foi criada para ser usada na praia, não no fórum; é feia, engorda, encurta as pernas e aumenta o quadril.

    Decotes, sempre eles que desafiam a elegância. Nada contra um decote careca que alivie o calor no pescoço, mas costas de fora são um exagero desnecessário. Se os nossos colegas homens podem apertar seus pescoços em gravatas, por que não somos capazes de domar o calor em decotes menos generosos, porém mais elegantes? Cabelos presos ajudam bastante a domar o calor, em coques ou tranças delicadas.

    E quando o calor vier, e junto com ela a vontade de praticar o naturismo em pleno escritório, pense nos juízes da Corte Jamaicana, que são obrigados a usar, além da toga preta, uma ridícula peruca branca, de acordo com a tradição britânica, colônia da qual fez parte, e não consta que exista ar condicionado nas salas de audiência. Esses, sim, sofrem, e no ano todo, não só no verão.



    Escrito por criscastro às 15h26
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    Escrito por criscastro às 12h54
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    Pé a revelia

    Tenho mais pena de pé de advogado do que de mãe de réu em tribunal de júri. Esses coitados, que nos levam a todos os lugares, são diariamente espremidos em sapatos apertados, desconfortáveis, sufocados em meias horrorosas e couro vagabundo. Por que as pessoas não conseguem compreender que os pés sustentam todo o peso do nosso corpo e da nossa alma, e que para desempenhem bem a função, necessitam de carinho e sapatos decentes?

    As pessoas acham bonito dizer que têm um armário cheio de sapatos, mas muitas vezes o que se encontra é um amontoado de porcarias, onde um ou dois realmente valem a pena o uso, quando os quarenta e nove restantes merecem a lata de lixo. Não há desculpas para sapatos ruins: gaste um pouco mais de tempo e de dinheiro, mas encontre um par que REALMENTE acomode os pés sem escravizá-los. Eis os mandamentos da lei dos sapato do advogado:

    1) Só existe um modelo de sapato masculino para advogados: é de couro liso, de amarrar. Não há desculpas. Não há alternativas. Não adianta inventar.

    2) E em duas cores: preto ou marrom escuro. Não existe cinza, não existe azul-marinho (é sério, já vi esse absurdo). Pela última vez, esqueça aquele temebroso mocassim na cor "caramelo". Só cantor de pagode usa sapato caramelo. Assista  ao Raul Gil e veja se estou mentindo;

    3) Pelo amor de Deus, camurça é um material inexistente no armário do advogado por dois motivos muito sérios: não dá para engraxar (e sapato de advogado dura MUITO tempo) e não aguenta uma chuva (e quem garante que você não vai passar pelo dilúvio na saída do fórum?);  

    4) Couro não lasceia. Isso é mentira de vendedor, querendo lhe empurrar o último par do estoque. Gaste um tempo escolhendo o sapato certo, para não ter de se lembrar dele durante o dia, muito menos dos machucados que ele pode lhe trazer;

    5) Sola de couro ou de borracha? Depende das suas funções. Os estagiários e advogados que fazem muito serviço externo devem optar pelas de borracha, que duram mais e protegem dos escorregões na rua, embora sejam mais pesados. As solas de couro são indiscutivelmente mais leves, mas já ri muito com vários tombos que alguns desavisados levam, principalmente em locais cujo chão é de mármore. O saudoso Pinheiro Neto só usava sapatos com sola de couro, mas ele tinha um arsenal de bengalas para ajudá-lo...

    5) Dois pares de sapatos de qualidade indiscutível já resolvem todos os seus problemas. E para tê-los por muito tempo, é só cuidar deles sem neuroses. Engraxe pelo menos uma vez por semana, deixe-os tomar um arzinho, sem deixá-lo ao sol (mancha e estraga para sempre o couro), e não se acanhe em visitar o sapateiro para trocar o salto ou a sola. Coisa boa dura muito tempo, economiza dinheiro e tempo;

    6) Por último, meias combinam com a cor do sapato (sapato preto, meia preta) ou com a cor da calça (meia cinza com calça cinza). As meias precisam ser compridas o suficiente para que ninguém veja os pêlos das suas pernas quando você estiver sentado (ficou muito feia a foto de um ministro de tribunal de última instância, envergando suas grossas e peludas canelas). Eu dou preferência sempre às de algodão, que absorvem o suor e dão bem mais confortáveis (toda vez que vejo meias de material sintético lembro do Julio Iglesias, que adora usar meias tão finas que parece ter sussupiado as suas do armário da sua esposa). Meia branca é para fazer esporte, e de tênis: só o Michael Jackson usa meia branca com sapato, mas ninguém o classifica como um ícone de elegância, menos ainda  de virtude. Ah, você se acha no direito de usar meia branca porque usa terno branco? Você é bicheiro ou fazendeiro de cacau? Por último, só o João Paulo Diniz usa sapato sem meia. Mas ele é o herdeiro do Pão de Açúcar, e não tem patrão, nem precisa montar uma carteira de clientes. Não é o nosso caso, certo?

    As mulheres têm mais liberdade de modelos e cores. E é essa liberdade que me assusta. Dá para contar nos dedos das mãos (ou seriam dos pés?) as colegas que REALMENTE  sabem combinar a seriedade das roupas com a elegãncia e conforto que os pés exigem.

    1) Está um calor infernal. Posso usar sandália?
    Uma olhadela mais atenta e você vai ver: quase noventa por centos das mulheres mostram os dedos dos pés.  É horrível falar isso, mas nem sempre os dedos dos pés são coisas bonitas a se mostrar. A advogada precisa fazer uma auto-avaliação muito sincera da natureza do  seu trabalho, da postura a ser mostrada para os colegas e da beleza dos seus pés para decidir se usa ou não os dedos de fora. Entendo que moramos num país tropical e que nossos tão sofridos pés sofrem com o calor; mas devemos lembrar que dedos à mostra ficam expostos à sujeira das ruas, e que o saldo pode significar pés imundos e cantos das unhas encardidos. Eu me pouparia disso. Quer um conselho sincero? Se você trabalha o tempo todo no escritório, pode usar um modelo peep toe (na tradução em inglês, dedo de fora, o que significa que é um modelo fechado, onde só o dedão fica de fora), mas num dia de muito calor, e com as unhas feitas. Em trabalhos externos, use sapatos fechados, sempre. Em todos os casos, deixe os modelos abertos para os momentos de lazer.

    2) Que tipo de salto é mais recomendado?
    Sapatilhas de saltos baixos são confortáveis e elegantes (se você assiste ao Bom Dia Brasil, notará que a elegantíssima Renata Maranhão está sempre usando as suas, combinando com ternos impecáveis), mas exigem calças mais justas e dão um ar mais inocente à produção, e nem sempre a inocência combina com a determinação que nos é exigida. Os saltos finos são lindos de se ver, mas raramente aguentam uma jornada de oito horas de trabalho ou mais. Dê preferência aos saltos médios ou altos, desde que mais grossos.

    3) Posso usar botas?
    Pode, desde que siga regras básicas. Com saias retas no joelho (por amor à sua profissão, não ultrapasse a linha do joelho, tanto para cima como para baixo), use modelos justos de cano alto, mas de couro sólido e em preto ou marrom, de salto médio e grosso (qualquer coisa fora disso vai parecer a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher", e tenho certeza que você não quer ser confundida com uma profissional do amor). Calças de lã ou de terninho aceitam muito bem botas de cano médio ou alto, mas sempre  por dentro das penas, nunca para fora. Evite os modelos muito enfeitados, cheios de tachinhas ou rebites escandalosos, bem como as de cano curto, muito difíceis de combinar. Quanto à botas pata de bode, recuso-me a comentar, pelo absurdo que representam.

    4) Que modelo de sapato combina mais com o visual de advogada?
    Os escarpins de salto médio são os modelos mais corretos: confortáveis, sérios sem serem "caretas", admitem uma vasta gama de cores e materiais. Os modelos chanel, de tiras no tornozelo e abertos na lateral, com o calcanhar fechado, também são boas opções, e ficam melhores se combinados às meias (preto com meia preta, marrom com meia marrom), para não engordarem os tornozelos. Os de modelos sabrina, de tiras finas no calcanhar são bonitos, mas precisam ser bem escolhidos, pois podem machucar se a tira estiver muito apertada. Sapatilhas de salto baixo são lindas, porém exigem ternos com calças secas ou cigarretes, o que pode não favorecer as mais cheinhas. Definitivamente, esqueça os tamancos (o barulho que fazem é insuportável, fora que expõem calcanhares mal-cuidados), sandálias abertas e de tiras finas, chinelos (já vi gente que queria entrar no fórum usando havaianas) e sapatênis (só admissíveis se você tem dificuldades motoras ou passou dos setenta).

    5) Meias e sapatos: como combinar?
    A regra é quase a mesma para homens e mulheres: sapatos marrons e pretos exigem meias no mesmo tom. As meias cor-da-pele são um coringa, mas tenho várias ressalvas contra elas (os tons são quase sempre horríveis e elas tendem a nos envelhecem uns dez anos). Ora, já tenho de me vestir com sobriedade, não preciso ser uma matrona para ser levada a sério. A solução que encontrei foram as meias cor-da-pele, mas no tom opaco, ou no modelo arrastão, tão muído que mal se percebe. Dá para usar com sapatos de tons diferentes (vermelho, verde musgo, bege), dão às pernas a elegância necessária e cobre uma depilação não-feita ou vasinhos que não precisam ser revelados, sem transformar a advogada numa vítima da moda. Meias mais elaboradas, com riscos verticais ou rendas, também são boas opções, mas exigem roupas com poucos detalhes e sapatos lisos. E no calor, só dá para dispensar as meias se as pernas forem de uma beleza irretocável, com músculos em ordem, pele hidratada e depilação em dia.

    6) Trabalho o dia inteiro e no fim do dia meus pés estão me matando. Existe algum sapato que canse menos meus sofridos pés?
    Quase sempre, o cansaço é culpa dos bicos muito finos, que espremem os dedos dos pés. Ou das tiras finas no calcalhar, que cortam a pele e exigem band-aids na bolsa. Ou de solas e saltos muito finos. Eu falo por mim, que sofri o pão que o diabo amassou até entender a fisiologia dos pés e como aliviar os males que lindos sapatos podem causar. Como qualquer mulher, sou enlouquecida por sapato, adoro modelos novos e quebro a seriedade de tailleurs sisudos e terninhos comportados com sapatos bonitos. Mas hoje não sacrifico a qualidade do meu trabalho e da minha saúde em prol de saltos mais finos que arame e modelagens torturantes. Quase sempre uso saltos altos (ora, tenho 1,57m de altura), mas grossos, que podem suportar buracos na rua e asfaltos mal-cuidados (sim, caro colega, certa vez foi obrigada a comprar um All Star de cano alto para conseguir chegar ao meu destino sem gritar de dor, após enfiar meu salto agulha num buraco na rua, tente não rir ao ler isso). Aproveito que os bicos redondos estão na moda, e escolho modelos que acomodem meus dedinhos com decência. E na hora da compra, prefiro o couro fino e mais molinho, que se adapta às medidas do meus pés. Por último, uso palmilhas de silicone, que se pode encontrar em qualquer sapataria, que conseguem trazem mais conforto a solas finas (o certo seria usar sola plataforma, mas há poucos modelos realmente bonitos com esse tipo de sola). E pelo menos uma vez por semana tiro minhas abençoadas sapatilhas do armário.

    Sempre há alternativas que aliem o conforto à beleza, à elegância à seriedade que nossa profissão exige. Basta ter olhos atentos, um dose considerável de inteligência e pensar sempre que, quando o assunto é moda para trabalho, menos é mais, e menos é sempre o melhor.

     



    Escrito por criscastro às 12h46
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