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    Manual de Moda e Estilo para Advogados


    Momento Cinderela

    Como já é sabido por todas, compareci ao baile de formatura da minha irmã. O lugar era uma beleza, a banda era animadíssima,  a comida impecável e as bebidas deviam sê-lo (não posso dar meu parecer na área etílica, já que o máximo de álcool que me permito é uma taça de vinho quando tomo sopa). E com meu olhar de fashionista, uma rápida circulada pelo salão com meu filho (já que morro de vergonha de dançar em público, meus braços não se entendem com meus pés, sou daquelas que ficam batendo papo e só se levantam da mesa para ir ao toalete) me deu a visão de moda para formandas que eu precisava.

     

    Formanda é uma pessoa que ama brilho. Até aí, compreensível: ela quer celebrar a vitória por tantos anos de estudo.  Mas o brilho é substantivo simples, nunca composto: quando se escolhe o brilho, deve-se limitá-lo a um ou dois itens, e não se esquecer que cabelo e maquiagem também contam pontos na loteria do brilho. Pois bem, o que eu vi foi uma overdose de brilho sem sentido: tecido brilhante, lantejoulas no vestido, glitter no cabelo, pontos de luz no penteado, strass no brinco, mais lantejoulas na bolsa, sombras cintilantes, gloss enfeitadinho... cada mergulho era um flash!

     

    No tocante aos vestidos, destaque para as costas de fora – quase sempre dotadas de pneuzinhos. As costas nuas de uma mulher são a tradução da sensualidade delicada – mas exibidas sem o menor critério, são um espetáculo de vulgaridade. Mulheres acima do peso ou com flacidez acentuada devem ficar atentas a esse detalhe. E a grande maioria esqueceu de que fendas, decotes no colo e nas costas são artifícios a serem usados com cuidado – quando as costas estão nuas, melhor cobrir um pouco mais os seios. E se o decote valoriza o colo, não é necessário exagerar na fenda.

     

    Outro capítulo é olhar os penteados – duros, sem movimento, um festival de laquê e gel que conferiu a muitas um visual artificial. Cabelo, ainda que preso, precisa ter volume, balanço, não a aparência de textura para parede. E para fechar com chave a ouro, a inabilidade de muitas para usar sandálias altas (a maldição da sandália não termina nem no baile de formatura!), que provocaram situações muito divertidas (pelo menos as observadas até a hora da saída desta que vos escreve, às quase duas da manhã). Entendo que num baile de formatura a tentação de ser princesa é latente, mas a naturalidade deveria ser um artigo não tão rarefeito nesse dia tão especial.

     

    Como câmeras eram proibidas, não pude registrar nada do que vi. Mas se n"ao custa dizer das flores.. usei um vestido de cetim verde, o sapato era um modelo D´Orsay, os brincos no modelo Chandelier de cristal (já que é para usar bijuteria, que seja o mais fidedigna a uma jóia!) e a bolsinha era de lantejoulas. O cabelo, as unhas e a maquiagem são da minha autoria.  A inspiração veio de um modelo Dior que a Gisele Bündchem usou em 2006, num baile em Nova York. Paguei inacreditáveis R$ 60,00 por esse modelo, e os acessórios eu já tinha há algum tempo. O maior elogio que recebi, fora dos objetos da minha idolatria, veio da minha mãe, que ao me ver adentrando o salão, de longe comentou com minha madrinha: “Quem é essa modelo?” Confesso que sorri.... mãe é mãe, né? (rs)

     

    Na próxima, falarei com mais empenho sobre formaturas. Beijos jurídicos.



    Escrito por Pingeot às 22h06
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    Mochileiras

    Por mais espaçosa que seja a nossa bolsa, ela certamente não consegue suprir a necessidade que temos que acomodar os autos, laptops, livros e códigos que tanto nos auxiliam. E uma mochila já virou artigo indispensável para muitas de nós. Durante um tempo eu também tive preconceito com as mochilas, mas a necessidade é a mãe de todas as escolhas, e dependendo do modelo, elas até podem dar um charminho no look. Mas há regras!

     

    Sempre que possível, faça uso do princípio da estrita legalidade: use a mochila mais compacta e delicada que puder. E como eu meu passado também me condena, eu faço um mea culpa: eu já usei aquelas mochilonas de náilon gigantescas, já que eu nutro um complexo de Gato Félix dentro de mim. As palavras são dispensáveis para expressar o quão grotesca ficava a visão, fora os empurrões que levava no transporte público.  Não havia diferença entre mim e uma Tartaruga Ninja, de tão grande e escandalosa que era a mochila. Deprimente.

     

    Sempre em cores neutras: - e por cores neutras leiam-se preto e marrom. Não invente moda. Nada de personagens infantis, coisas de desenho animado. Repreenda a Hello Kitty que há em você, sem efeito devolutivo.

     

    Já falei e vou repetir: na primeira oportunidade, invista numa mochila de couro. Elas são leves, confortáveis, resistem à chuva e duram uma eternidade. Fotografei estes modelos numa loja no centro de São Paulo, mas outras lojas têm modelos bem feitos e acessíveis (P.S.: o arquivo de fotos está péssimo, mas o que vale é a informação!!!!)

     

    Outra novidade são as mochilas dotadas de rodinhas, com dupla função: podem ser usadas nos ombros ou como um carrinho de mão – basta acionar a alça embutida. Não são tão espaçosas, mas não açoitam as nossas colunas tão maltratadas. No começo, achei estranho puxar aquela alça pela rua como se estivesse no aeroporto, mas depois acostumei tanto que não me imagino mais sem ela. Foi a salvação da lavoura – e o fim das dores lombares. Encontre a sua companheira e pé no fórum!

     



    Escrito por Pingeot às 22h04
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    Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...

     

     

    De joelhos eu me rendo e peço perdão a todas vocês pela ausência. Além do trabalho e do Pedro, tenho mais uma nobre e desafiante tarefa: o estudo para a prova da Magistratura. Na verdade, eu já venho estudando com afinco há uns quase dois anos, mas de uma maneira amadora. E todas sabem que, quando o assunto é concurso público, o estudo deve ser encarado de maneira profissional, ainda mais numa prova tão exigente como a da Magistratura bandeirante; dessa forma, além de TODAS as tarefas acima elencadas, freqüento diariamente um curso preparatório, puxadíssimo e aprofundado a ponto de exigir pelo menos quatro horas de estudo diário.

     

    Nem preciso dizer que ando sem tempo até para pentear o cabelo. Tudo é cronometrado, nenhuma hora é desperdiçada, todos os momentos que não englobam os cuidados com o Pedro, o trabalho e a vida doméstica são os de estudo em rigorosa concentração. O resultado? Melhorei muito as notas nos simulados, mas ganhei uma anemia e hoje o corpo deu o sinal de que preciso cuidar melhor de mim... dessa forma, hoje estou em casa, descansando e pondo a vida em dia.

     

    Fora hoje ,a única pausa que eu tive foi a formatura da minha irmã, no qual compareci e permaneci por ... duas horas, contadas no relógio! Queridas, não lamentem ou imaginem que isso seja um exagero da minha parte - sem dor não há vitória. Não lamento as escolhas que estou fazendo agora, pois o retorno é certo se há dedicação. Não posso fugir à minha vocação, ao meu sonho nutrido desde a minha adolescência: sempre quis ser juíza estadual, e tudo que devo fazer é estudar com afinco e paixão na busca daquela que é a função para qual me sinto plenamente apta. 

     

    Minhas queridas, nunca esqueço de vocês. Apenas não consigo pensar em mim. Assim sendo, me perdoem pelo atraso na pauta. E vamos às novidades...



    Escrito por Pingeot às 21h59
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    Icones da Moda - Luiza Brunet

    Uma hora uma stripper, noutra uma ex-modelo. Onde eu quero chegar, deve ser a pergunta que muitas me fazem agora. Para começo de conversa, Luiza Brunet já era meu ícone de elegância antes que eu virasse gente. Além de ser um estrondo (sim, eu já a vi pessoalmente, e ela é ainda mais bonita ao vivo, dá vontade de cortar os pulsos!), ela é a mulher real e possível: é morena de cabelos castanho como 80% de nós, o que já é meio caminho andado para nos inspirarmos nela. E além da sua absurda beleza, sabe se posicionar:  deixou de ser modelo antes que o mercado de trabalho esquecesse dela, e ninguém a vê envolvida em escândalos e baixarias. Se tem tatuagem, é para esconder as marcas de vitiligo do qual é portadora (até no rosto ela tem marcas da doença). Usa biquíni? Sim, mas evita o fio-dental. Minissaia? Barriga de fora? Só na passarela. É o exemplo da mãe que respeita a filha e as limitações da idade, o que merece aplauso num mundo onde mães tentam conquistar garotões com idade para serem seus filhos.

     

    1)     Peças favoritas: mbora tenha por  muitos anos envergado (por força de contrato, melhor deixar isso claro) os apertadíssimos jeans Dijon, ela sempre foi muito clássica: camisas de corte impecável, calças brancas, calças de alfaiataria. Quando se produz para a noite, os vestidos são longos ou no joelho, como convém a uma jovem senhora.

     

    2)      Guarda-roupa: Ela usa muito Versace no vestidos (tem um vestido marrom dela que eu sempre quis ter!) e nos cintos – ela capricha muito nestes, especialmente quando usa a dupla calça e camisa brancas.   

    3)     Cores:  Ela adora branco, e os cabelos castanhos e a pele bronzeada facilitam essa paixão. À noite, quase sempre preto.

     

    4)      Cabelo e maquiagem: O cabelão é a sua marca registrada  – lindo, naturalmente liso e castanho. A maquiagem se tornou mais suave com o passar dos anos (ainda bem, pois no começo da carreira ela exagerava um pouco). O único senão dela são as sobrancelhas, que poderiam ser mais grossas. Ela cisma com o seu sorriso, pois acha seus lábios finos e seu nariz adunco (já vi esse filme, do qual fui protagonista durante certo tempo), mas a verdade é que ela tem um rosto lindo, clássico e brejeiro ao mesmo tempo.

     

    5)    O teu passdo te condena:   Apesar dela rspeitar muito a filha, eu detestei quando ela posou para o livro do Terry Richardson naquela foto tão feia quanto desnecessária - não precisava acabar a carreira de modelo com aquela pose horrorosa (eu não vou mostrar aqui a foto, mas é procurar na Internet e ver se estou falando alguma besteira). Outro momneto triste foram as fotos das campanhas da grife de jeans Dijon - posar com o patrão naquela situação é de lascar. A sorte dele é que não havia a tipificação de assédio sexual na época.

    6) Porque ela é um ícone:  Ela é a prova de que o melhor da vida começa aos 40.  Mesmo dando um banho em muita menina de 18 anos, não sucumbe ás tentações de ser o que não é mais. E corajosamente posou sem Photoshop e maquiagem, provando que é possível ser bela sem retoques eletrônicos, e explicou: "Tenho  47 anos, tenho consciência disso e não preciso aparentar ser mais nova. Não tenho problema nenhum com meu corpo. Envelhecer é irreversível, e toda idade tem sua beleza. Sempre peço para não me deixarem com o corpo de uma menina de 20 anos “.  E mais - ela, sim, representa a verdadeira beleza da mulher brasileira, tanto assim que o cacique Raoni, assistindo ao SPFW, dentre Giseles e tantas outras mais novinhas, apontou: "Aquela, sim, é bonita". Senhoritas, aprendam com ela a serem belas e verdadeiras!  

     



    Escrito por Pingeot às 15h32
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    Momento Mãe Ternura

    Eu tinha de mostrar essa para vocês. Com exclusividade, meu filhinho, que aos cinco anos gosta tanto de massagem que pediu por uma "quick massage" no quiosque do shopping. Nem preciso dizer que os visitantes do shopping se encantaram com a cena, que vocês também mereciam ver. Querem saber da melhor? O danadinho adora pegar meu pote de hidratante e fazer massagem na mamãe. Meus ombros de advogada e meu coração de mãe agradecem! 



    Escrito por Pingeot às 21h27
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    Dúvidas de Moda 2010

    1)      Advogada por usar calça carrot?

    R: A calça carrot (ou cenoura, ou saruel, como preferirem) tem alma esportiva. Particularmente, eu não gosto dela - não realça os contornos femininos como se deve – mas se você faz MUITA questão, capriche com todo o esmero na blusa e no sapato.

     

    2)      Advogada pode usar estampa?

    R: O problema não é o vestido ou a blusa serem ou não estampados, mas que tipo de estampa será utilizada. Há muitos gêneros que podem ser usados pelas advogadas: poás miúdos, listras, xadrez (tweed, príncipe de Gales, pied-de-poule) ou até uma estampa de bicho (esta desde que numa blusa bacana ou numa echarpe caprichada). Estampas mais criativas necessitam ser mais sóbrias, em cores mais discretas. De maneira geral, evite estampas grandes nos vestidos, deixando isso para as blusas, camisas e lenços.

     

    3)      Preciso me relacionar com juízes e promotores e preciso usar roupas mais elaboradas, mas tenho horror a terno (ou tailleur). O que eu faço?

    R: Muita gente boa não gosta de terno convencional (Luís Virgílio da Silva, o professor de constitucional da USP, jamais foi visto num, e ele parece o Cary Grant!) Quem não gosta de blazer pode usar vestidos, com ou sem manga. Mas eles precisam ser bem cortados, de tecidos mais firmes e todos com forro (esqueça os vestidões de malha, ainda que o corte seja maravilhoso.) Para dar mais sobriedade, invista num broche camarada ou num colar de três voltas em pérolas. Para os amigos causídicos, é obrigatório usar blazer e uma camisa maravilhosa. Um relógio de respeito e o toque de Midas – uma pasta ou bolsa inigualável. Um cabelo bem arrumadinho e... voilà!

     

     

     



    Escrito por Pingeot às 21h18
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    Vigília Clamando por Milagres

    Gosto não discute – lamenta-se, por vezes. E às vezes, falar sobre os erros de moda não funciona: o jeito é mostrar. Neste post, vou comentar todos os absurdos modistas que meus olhos e a lente do meu celular captam nos fóruns, só para mostrar in rem o que não deve ser usado nem em caso de calamidade pública. Peço desculpas pelas limitações da lente da câmera e pelo foco (eu tenho de ser muito rápida, sob pena de levar uns safanões das minhas “modelos”). Todas foram fotografadas no centro de São Paulo, e tive a parrocha de conferir se elas eram advogadas ou estagiárias (olha a que ponto eu chego para dar credibilidade ao que digo!) Então, com vocês e com exclusividade...

     

    1)      A blusa até não era má. O problema era a legging branca, que realçava com perfeição a celulite da moça – tudo poderia ser resolvido com um saia ou uma calça. E um comentário que a foto não pode mostrar: a coitada não sabia andar de salto, pisando torto e jogando os joelhos para frente. Um horror.

     

    2)      Já disse e vou repetir: ser gordinha não é pecado. Mas foi uma judiação ver esses pneuzinhos realçados pela blusa apertadíssima, que ainda contava com um sutiã preto de bolinhas brancas à mostra. Verdadeira afronta à elegância, sem efeito devolutivo!

     

    Aguardem as próximas emoções do novo capítulo, onde darei ênfase a sapatos. A coisa vai esquentar!



    Escrito por Pingeot às 21h11
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    Após longa pausa para acertar a vida pessoal e os compromissos habituais, estou de volta! Graças a Deus, algumas colegas queridas sentiram minha falta e reclamaram, no que fazem muito bem! Isso é a prova de que as matérias fizeram falta, o que me enche de orgulho e de responsabilidade, pois estou diante de um público excelente e exigente! Mesmo com o escasso tempo, preparei novas e divertidas matérias.  Vamos a elas?

     



    Escrito por Pingeot às 21h03
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    O Pequeno Dicionário de Moda - Cap. 4

    Blouses - Blusas

    Eu acho uma pena que as blusas tenham perdido lugar para as camisas e os tops. É simplesmente lindo quando, num dia quente, tira-se o blazer e se revela uma blusa maravilhosa.

    Ultimamente, o sinônimo de blusas para advogadas virou aquela branca de algodão e cheia de babados. Eu tomo um pouco de cuidado com ela pois ela aumenta os seios (o que, para algumas, é vantagem) e a cintura (o que não é vantagem para ninguém); além disso, são inúmeras as opções. Pense em viscose, jérsei, seda pura - não fique só na malha e no tricoline; e em modelagens diferenciadas, decotes inovadores, golas e detalhes. Tome muito cuidado com crochê - eu também gosto, mas ele não combina com a sisudez que nos é exigida. Atenção redobrada também às blusas de malha com estampas metálicas e esportivas - são coloquiais demais. E estampas, de modo geral, também merecem atenção: as muito grandes poluem muito o visual - se for para usar algo estampado, dê lugar aos miúdos, aos listrados suaves e aos póas, sem muitas cores.  Se dá para usar transparência? Dá, se for um pequeno detalhe, como as mangas ou o decote.  No Natal, ganhei do meu filhinho um modelo com estampa de onça; e não é que a danada combina perfeitamente com meu tailleur marrom ou qualquer saia preta, sem ficar chamativa?  

    Outro modelo que todo mundo elogia é este daqui. Dei a sorte de achar a mesma cor, o que me favorece muito - morenas de cabelos e olhos castanhos ficam muito bem em azul. E combina com preto, com marrom, cinza chumbo e branco numa boa.

    Por fim, se é para usar blusa, então que ela seja bem-feita, bem-acabada, numa cor bonita. Porque o bonito da blusa é que ela seja revelada quando tiramos o blazer na saída do fórum, conferindo aquele destaque no visual. Dê férias aos seus tops - use blusa! 



    Escrito por Pingeot às 13h02
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    Perfume de mulher advogada

    Colegas, vocês moram no meu coração. Todas vocês conquistaram um lugar cativo na minha alma, intempestivamente. O que vocês me pedem é lei – sem efeito retroativo. E por isso, quando alguém me pede uma sugestão, minha obrigação é pesquisar e trazer à tona o mais rápido possível, pois sei que informação rápida é fundamental. A querida colega (sim, ela, na sua humildade, chamou-me de futura, mas eu valorizo demais a figura do estagiário, exigindo todo o respeito para com a classe!) solicitou um post sobre perfumes adequados ao nosso perfil. Eu logo respondo: qualquer “consultora” recomendaria perfumes caríssimos, os últimos lançamentos em alta perfumaria, etc, etc, etc. Fica bonito avisar que só com um frasco de 5ml e cinco dígitos você ficará adequadamente perfumada.

     

    Prezadas, vocês me conhecem. Um perfume da Prada, um Chanel, um Givenchy tem o seu valor, é claro. É bonito ver um balcão de um banheiro (de preferência de mármore, que ninguém é besta!) repleto de frascos lindos e estilosos, com cheiros inigualáveis; mas, sinceramente, sou adepta do perfume único, por toda a vida. A memória olfativa é a mais poderosa, pois todos os nossos sentidos podem ser sabotados – podemos tampar os ouvidos, fechar os olhos, mas é impossível não sentir cheiros, uma vez que somos obrigados a respirar. Sabe aquele cheirinho que bate no nariz e todo mundo sabe que é seu? Pois é, esse é o seu perfume. Esse é o adequado, o indicado para você.

     

    Eu tenho um só cheiro, cheiro de baunilha. Uso um gel de banho, passo óleo de banho, hidratante corporal e, no máximo, uma colônia refrescante, mas tudo é de baunilha. Não é forte, não irrita ninguém no elevador e todo mundo me conhece pelo cheiro de baunilha (funciona melhor do que RG). Virou minha marca registrada. Baunilha é bom? Não sei, só sei que baunilha é o meu perfume. E tenho várias memórias olfativas registradas na cabeça (e no coração): manjericão lembra minha querida avó; sabão de coco lembra uma menininha muito linda de quem gosto muito; quando penso na minha mãe, vem na cabeça o aroma do Thaty, do Boticário; Azarro é um perfume dos mais acessíveis, mas para mim, é uma maravilha numa pele masculina (o revitalizado Sr. N., da Natura, tem o mesmo efeito). E não tem cheiro melhor do que a pele dos meus amores, e ambos não usam perfume.

     

    Antes de cheirar a baunilha, o que acontece há pelo menos uns oito anos, eu variava de perfume como quem troca de camisa. Comecei com o Anaïs Anaïs, passei para o Gabriela Sabatini, fui subindo degraus com o Envy, da Gucci, e cheguei ao olimpo olfativo com o Allure, da Chanel. Eu também tinha essa preocupação de achar que, como eu era uma pessoa doce e carinhosa, o perfume também tinha de sê-lo; que pessoas esportivas combinam com perfumes masculinos, que fragrâncias fortes eram para pessoas marcantes, e por aí ia. Pura bobagem! O perfume precisa combinar com a sua pele, nada mais. Já vi pessoas extremamente tímidas usando o Angel, de Thierry Mugler, que é reconhecidamente um perfume doce e muito forte; moças esbanjando feminilidade adeptas dos cheiros amadeirados, tipicamente masculinos; e advogadas opulentas com a singela Lavanda Johnson´s. O perfume só tem uma regra – não pode aparecer mais que a dona dele. Sentir o seu perfume é privilégio de quem chega a pelo menos 50cm de você. Sentir o perfume da pessoa numa petição, na maçaneta da porta ou a um metro de distância parece ser um exagero. No mais, a última dica, que ouvi de um advogado com muitos anos de estrada: “Cheirar bem é questão de educação”. E eu sei que todas aqui são um primor de educação!



    Escrito por Pingeot às 22h42
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    Arrogância e advocacia - o combate final

    Nas minhas andanças pelos fóruns, faço questão de bater papo com os funcionários das varas. Não o faço por interesse - muitos são realmente simpáticos, e há que se reconhecer que a grande maioria tira leite de pedra (pelo menos aqui em São Paulo, os processos são infinitos e as condições de trabalho quase haitianas).  E o que mais eu escuto é a frase: "Ai, doutora, se todo o advogado fosse como a senhora...". Não sou a oitava maravilha do mundo (OK, sétima e meia, e não se fala mais nisso!), não trabalho numa grande banca, não dou presentinho de Natal para ninguém, nada em tese justificaria essa homenagem; ou quase. Entendi o segredo: se não sou animada, pelo menos não sou arrogante.

    Tem colega que ainda acredita na fábula do advogado eficiente e arrogante. A cena deve ser familiar a todos: aquele advogado que fala alto, acha que todo mundo é seu amigo, exige os andamentos na base do grito, bate a mão no balcão e ameaça qualquer juiz de suspeição ou impedimento. E tudo que posso dizer é que, por trás de todo profissional que grita e ameaça, há um mais ameaçado ainda. Aprendi com o monge da escola do meu filho - só ameaça quem tem medo. Medo de perder o processo, medo de perder o cliente, medo de ser considerado incompetente.  Eu demorei MUITOS anos para entender que a minha alma doce, empática, não seria um defeito na vida profissional, pelo contrário. Bastaria canalizar essa mansidão para a área adequada, e não traduzir isso para o guarda-roupa. Não é porque sou simpática e adoro flores que vou me vestir como uma Chiquitita Abandonada. A minha imagem precisa ser formal, sisuda, as pessoas precisam bater o olho em mim e visualizar de cara uma advogada preparada, com conteúdo, capacidade e ética. É minha obrigação ser transparente, mas o mesmo não se aplica às minhas roupas.

    Eu falo isso porque comi o pão que o diabo amassou, como estagiária e recém-formada. Eu não tinha muito dinheiro, e no começo da minha faculdade banquei a hippie-chic, com saias compridas, bolsas de palha, regatinhas marotas e batas esvoaçantes.Esse visual de justifica pelo meu medo de parecer arrogante, e eu queria muito ser aceita nas entrevistas que eu fazia. Semestres à frente, percebi que ninguém me levava a sério com meu estilo Janis Joplin, por mais que eu estudasse e me aplicasse. Par corrigir a besteira que estava fazendo, fui para o extremo da história: tudo escuro, tecidos duros, cabelos presos, meias fio 80, sapatos fechados e medonhos. Eu era a perfeita babá Fräulein, só faltava a palmatória. Séria, sem dúvida. Mas MUUUITO chata. Hoje, encontrei o meio termo, mas até lá, eu fui mal-interpretada - ou parecia uma riponga inconsequente, ou a workaholic sedenta por uma besteira chamada poder.  

    É isso que eu peço a vocês, queridas colegas - sejam autênticas no trato pessoal, mas lembrem-se de fornecer uma imagem forte, correspondente à seriedade do que fazemos, mas não insuportável. Ser insuportável não é bonito e só faz escancarar sua insegurança.

     



    Escrito por Pingeot às 19h17
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    A selvagem da motocicleta

    A pauta de hoje homenageia uma querida internauta e colega, que me pediu dicas sobre a moda para quem é advogada e motoqueira. Um desafio, sem dúvida: eu andei uma vez de moto na vida inteira, e quando pensava em roupas para motoqueiras, logo meus pensamentos iam para aquelas roupinhas de couro coloridas, botas e luvas grosseiras. O que funciona muito bem para profissionais liberais, mas não para estagiárias e advogadas de escritórios conceituados e solenes, sob pena de ser confundida com um Power Ranger Força Alienígena. Daí, resolvi sair do conforto do meu lar e saber in loco como é ser advogada e só ter a opção da moto para se deslocar até o trabalho.

     

    A primeira questão era como usar saia e subir na danada da moto. E já que a certeza é fruto da experimentação, lá fui bancar o Doutor Pardal fashion e testar minha tese numa moto estacionada na garagem do meu prédio. E não, não dá para subir numa moto usando saia sem mostrar a calcinha. Mas há uma saída honrosa para o problema: usar uma bermuda ciclista!!! Claro que não funciona com saias muito justas e muito curtas – o que, convenhamos, é inadmissível num ambiente de trabalho. Então, nos dias em que for usar saia, dê preferência às que batem no joelho e às mais soltinhas. Para justificar essa orientação, tentei subir na citada moto envergando uma saia lápis de lã fria, bem justinha, e... bingo! A saia rasgou!! E se eu fiz isso para poupá-la de eventuais vexames públicos, melhor me escutar, colega.    

     

    Adriane Galisteu não é meu ícone de elegância, mas eu tinha de mostrar essa foto. A saia (ou bermuda) não funciona no trabalho, mas é só para mostrar que mulher pode ser motoqueira sem drama.

     

    Quando o assunto é calça, as cigarettes ou skinnies são as campeãs: não embolam na proximidade do pedal e sujam menos que as de boca mais larga. Mas não pense em calça de couro, tampouco em jeans: a primeira, sensual demais, e a outra peca pela informalidade. Se não conseguir escapar do jeans, então use o mais escuro e mais simples no corte, sem detalhes, o mais parecida com uma calça de tecido. Meia-calça em fios mais grossos também são uma boa pedida – mas você conhece a minha opinião sobre leggings...

     

    Já que você vai bancar a easy rider, invista numa jaqueta perfecto. Ela foi desenvolvida especialmente para proteger o(a) motoqueiro(a) da chuva, do frio e até de acidentes. Dá pra usar tranqüilamente com vestido ou saia e caminha com elegância pelos corredores do fórum sem fazer feio. Um casaco ou blazer de couro que pare na cintura também ajuda a compor o visual.  

     

    Os sapatos merecem atenção. Sapatilhas e botas de salto médio funcionaram melhor do que saltos altos, e desse grupo, as botas se saíam bem melhor no teste. Em cano baixo, médio ou alto, todas protegem melhor os pés e dão aquele toque especial. E nunca se esqueça: cores escuras, baby, cores escuras. A lama, a água da chuva, a sujeira da rua, tudo pode desmoronar seu look se você usar cores clarinhas.

     

    Detalhe chato que eu não posso deixar de comentar, mesmo nesse calor africano: o frio é inclemente com as motociclistas. Para proteger as partes mais sensíveis ao frio (ouvido, nariz e garganta) é recomendável o uso de um capuz de lã fechado, chamado “Ivanhoé” Mas além de muito feio, ele embaça a viseira. E ponchos são absolutamente proibidos. Não por lei, mas pelo bom senso; muitas vezes o poncho enrosca na roda traseira da moto, o que pode provocar até o enforcamento. Quanto aos cachecóis o risco é o mesmo (a bailarina Isadora Duncan morreu sufocada por um que enroscou na roda, cruzes!). Melhor usar um lenço, ainda que seja de tamanho grande; e luvas, amor, luvas! Pode ser de lã, mas o charme mesmo fica no couro, e se for colorido, você ganha pontos no Jogo da Elegância!

     

    Por último, capacete, indispensável. Escolha um bem bonito, e pé na estrada! Juízo e elegância, sempre.



    Escrito por Pingeot às 20h19
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    Bolsas e Valores

    “Eu sou Cris Castro, tenho 34 anos, sou advogada e sou viciada em bolsas. Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando (sic), mas prefiro usar bolsa de verdade”*. Colegas, eu preciso confessar a vocês a minha grande fraqueza fashion: bolsas. Eu amo meu filho, eu adoro cachorro, eu adoro cozinhar, mas eu sou alucinada por bolsas. E com essa paixão explicitada, você deve estar imaginando que o meu closet (olha que chique, não é guarda-roupa, seria closet!) é repleto de vários modelos, dos mais chiques aos mais simples. Lamento desapontá-la, mas eu só tenho cinco. Porém, todas da melhor qualidade. Quando o assunto é bolsa, eu não tenho pressa: economizo, pesquiso, negocio, espero ter o melhor. Todas são capazes de me acompanhar num evento chiquérrimo, depois de um dia inteiro de trabalho. Tudo já é simplório na minha vida: pelo menos a bolsa precisa ser de respeito. Senhoras, apresento-lhes minhas companheiras, com nome e sobrenome...

     

    Alma (Louis Vuitton): é sabido que toda maníaca por bolsa começa com uma Vuitton de monograma. A primeira vez que eu dei de cara com o modelo foi na mão de uma advogada, num almoço de família. A moça era a arrogância em pessoa, mas eu não conseguia tirar os olhos dela, menos ainda da bolsa... era redondinha, espaçosa por dentro, bolso para celular, alça curta e estruturada. Fiquei namorando a danada pelo site da Louis Vuitton até que minha mãe me presenteou no Natal. É a minha preferida para ir ao fórum, e foi minha companheira inseparável na gravidez, mas ficou quietinha no armário no período de amamentação do meu filho – ela realmente fica mais bonita quando segura pela mão; só chega até o antebraço, e com o peso que eu carrego nela, fora o neném, tão rechonchudo quanto a bolsa, o braço doía, doía, que doía, e não era prática.

     

    Stam (Marc Jacobs): essa eu comprei com meu dinheirinho. O que me alucinou nela foi a cor, que combina com tudo e não é óbvia, e a combinação de matelassê com corrente dourada. E em homenagem a uma pessoa muito querida, ela parece com uma bolsa de farmacêutico. De tamanho médio, mas carece de divisórias. Cuidado especial com carros – na hora de sair deles com pressa, cansei de bater a corrente na lataria como se fosse um chicote. E para pagar contas em bancos, então, é um horror – o maldito alarme de objetos metálicos dispara sem parar!

     

    Birkin (Hermès): sim, ela!!! E a história da aquisição dessa bolsa é mais engraçada ainda. A primeira vez que a vi foi um brechó no centro, e eu fiquei paquerando a danada por quase um ano. No começo, a dona do brechó só aceitava o aluguel da danada (eu aluguei duas vezes, olha a que ponto chega a pessoa viciada em bolsa!), até que, depois de muita reza e promessa... a última locatária quebra a fechadura do cadeado e perde o botão traseiro! A loja original da Hermès ainda não havia sido inaugurada, e a dona do brechó não teve outra opção senão vendê-la. Claro que ela tentou fazê-lo num preço absurdo, mas após muitas negociações, consegui convencê-la a me vender num preço compatível. Ela ainda continua é a minha queridinha! Confesso que tenho medo de andar de ônibus com ela (vai que o ladrão leia Vogue...), e por isso cuido muito bem; porém não sou escrava dela: tomo chuva, carrego coisas, meu filho já colou adesivo do Ben 10 nela (claro que eu ensinei que não se brinca com a bolsa da mamãe), e ela está lá, firme, linda, cada dia mais bonita. Vai do fórum ao shopping, do shopping para o mercado, para o cinema, o teatro, restaurante chique, coquetel.... Vale CADA centavo gasto. Vale a fila de espera. Vale tudo por uma Birkin.

     

    2.55 ( Chanel): outro presente de Natal (Papai Noel sabe que se eu for uma boa menina, ganho bolsa!). iNo começo, estranhei a cor, branca (eu sonhava com a preta, clássica). Nunca tinha prestado atenção nela até ler o livro da Costanza Pascolato, o “Confidencial”, onde ela mostra as maravilhas internas da bolsa. Realmente, ela é de uma inteligência incrível, bolsinho escondido para tudo, forro impecável, divisórias que mereciam o Prêmio Nobel. E as correntes são um luxo! De todas, é mais confortável para carregar meu filho no colo, e embora seja a caçula e a menorzinha, é um espetáculo de praticidade. Fora que é um luxo, merecendo ser rodopiada num casamento (adoro festa de casamento!)

     

    Bolsinha de lantejoulas (sem marca): não passa de uma carteira preta, com aplicação de lantejoulas, vintage com saudade. Ganhei da mãe de um ex, uma senhora muito linda que me adorava, tendo chorado horrores quando eu fui embora da vida do filho. E no nosso último encontro, ela me deu a bolsinha (“Já que não vou ter você como nora, toma aqui a minha bolsa mais querida”). No mês passado, soube que a senhorinha partira para o céu. Ela nunca mais me viu pessoalmente, não conheceu meu filho, e certamente não pôde ver o quanto eu cresci e mudei, e nunca me viu envergar a bolsa. Mas o bolsa está lá num cantinho muito especial do meu armário, e a Dona M. no meu coração.

     

    (adaptação do texto de Mônica Salgado, “Salto em Altura”, na Vogue Brazilian Footwear)



    Escrito por Pingeot às 12h04
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    Ícones da Moda - Dita von Teese

    Antes que me perguntem o que uma stripper está fazendo num site de moda para advogadas, eu respondo: no afã de serem respeitadas e conquistar espaço no nosso concorrido mercado de trabalho, vejo muitas colegas virarem uma caricatura masculina, imitando os trejeitos e os modos grosseiros dos homens. A algumas, só falta cuspir no chão e coçar o saco. Eu entendo essa necessidade de não se mostrar desprotegida – atuei durante muito tempo na advocacia penal, e sei bem o que é enfrentar delegado, investigador, promotor de justiça e juiz criminal. Apóio com vigor a profissional que reinvidica suas prerrogativas e luta com firmeza pelos interesses dos seus clientes. Mas, daí a ser uma versão mal acabada de um homem para conseguir ser ouvida e alcançar suas metas, tem uma diferença enorme.

     

    Dita Von Teese é mais do que uma stripper que virou celebridade por ter se casado com o esquisito Marilyn Manson: é uma dançarina do teatro burlesco, altamente respeitado nos anos 20 e 30, que hoje tenta reviver os tempos áureos da dança sensual que respeitava a imagem feminina sem ridicularizá-la (atenção, mulheres fruta: favor fazer a lição de casa!). Tira a roupa, rebola, mostra a lingerie, fica nua em cima de uma absurda taça de champanhe, mas tudo com luxo, elegância, boa música, cenários elaborados, platéia selecionada.  E assim que sai do palco, traz à tona uma mulher muito bem-vestida, de humor inteligente, educada e no controle absoluto da sua imagem - e quem quer dela desfrutar precisa pagar cachês de seis dígitos. Nas entrevistas que concede à imprensa, dribla as brincadeiras com classe e humor afiado; contudo, que ninguém passe do ponto – com sua voz macia e seus modos educados (ela é incapaz de fazer barraco), deixa qualquer jornalista falando sozinho quando sente desrespeitada. Uma dama, sem dúvida, que tem muito a nos ensinar. Vamos às suas lições, portanto:

     

    1)      Guarda-roupa: ela é a personificação da classe e da feminilidade dos anos 40 e 50. Tudo é luxo para Dita Von Teese – e ela não se contenta com nada que não o melhor. Usa alta costura sem medo de ser feliz, nos seus melhores tecidos e modelagens. É amigona do estilista da Maison Dior, John Galliano, que cede os impecáveis tailleurs e vestidos que ela enverga nos eventos. E vamos combinar: os tailleurs e saias que ela usa são facilmente usáveis nos fóruns!

     

    2)      Peças favoritas: 90% do tempo ela está de saia lápis ou vestido nos joelhos ou logo abaixo deles, em modelagens retas ou godês. Usa blusas elaboradíssimas, de renda, seda ou cetim primoroso. Mesmo o clássico tailleur sempre terá uma nervura, um xadrez miúdo, um drapeado cuidadosamente estudado para conferir um toque feminino ao conjunto. Os cintos são sempre fininhos, para realçar sua ainda mais fina cintura. E como toda pin-up moderna, está sempre de saltos altos (“Não uso saltos altos o tempo. Só quando estou calçada” – ela afirmou certa vez, mais uma prova do seu bom humor). E as bolsas, embora maravilhosas, são pequenas demais para quem carrega processos, códigos e maquiagem – melhor se inspirar nos modelos e pensar em tamanhos maiores.

     

    3)      Cores favoritas: óbvio que ela adora preto, mas dá espaço ao vermelho em tons fechados, ao cinza e ao bege. Gosto quando ela investe em azul cobalto ou marinho – um jeito diferente de quebrar o monopólio do preto.

     

    4)      Jóias: ela sempre usa brincos ou anéis, em brilhantes ou pedras claras. Mas o que ela não dispensa são os relógios femininos, cada um melhor que o outro, que ela usa até em eventos noturnos.

     

     

    5)      Cabelo e maquiagem: falar de maquiagem é pleonasmo para ela. A pele dela é impecavelmente clara e tratada, e os olhos sempre estão com um traço de delineador, fino e delicado, e os lábios fininhos jamais conheceram outra cor que não o vermelho vivo. Os cabelos escuros e ondulados são um capítulo à parte: estão sempre muito bem arrumados, com o balanço e brilho de quem se cuida muito. Confesso que copio deliberadamente os penteados dela, principalmente este, que é muito parecido com a textura natural e o comprimento atual do meu cabelo. E as unhas, tão vermelhas quanto a boca.  

     

     

    6)      O teu passado te condena: ela era inacreditavelmente loira e de cabelos lisos antes de ser famosa, até perceber que seu tipo comum não a faria ser senão mais uma na multidão. E claro, eu não entendo o que a fez se casar com um sujeito que usa batom e esmalte – vai ver, ela quis economizar em maquiagem importada...

     

    7)      Porque ela é um ícone: Deve-se prestar atenção em Dita Von Teese não pela sua curiosa forma de viver, mas sim pela sua impressionante feminilidade, que precisa ser cultivada por todas nós. Sempre maquiada e com os cabelos em ordem, fala baixa e modos elegantes, Dita Von Teese faz reviver uma época onde a mulher realmente era mulher e se portava como tal. Ela não apenas se veste (ou se despe) como mulher: ela fala como mulher, anda como uma mulher, pensa como mulher. Sem dúvida, ela transfere toda essa classe e feminilidade para a moda, e por isso ela merece lugar cativo na lista das mais elegantes e de inspiração para os guarda-roupas jurídicos. E a quem possa interessar: eu me inspiro muito nela, e tenho inclusive roupas e acessórios muito parecidos. Que mal há em querer o que é bom, é a pergunta que eu clamo resposta. Se quiser chamar isso de cópia, fique à vontade. Mas é melhor deixar o teatro burlesco para quem pode...

     

     

     

     



    Escrito por Pingeot às 10h32
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    Nos defeitos, qualidades

     Joelhos grosseiros. Olhos exageradamente separados. Pescoço grosso. Seios minúsculos. Dentes tortos. Nariz com ponta caída. Pés tamanho 42. Traseiro sem muito recheio. Mãos com dedos grossos. De posse dessas informações, você pode achar que estou falando de alguém, no mínimo, muito feio ou deselegante.

     

    Agora eu lanço outra informação: Jacqueline Lee Bouvier Kennedy Onassis. A dona das tais características físicas que acabei de descrever.  E é por isso que lanço o desafio: o primeiro passo para ser elegante é saber quais são os seus defeitos, para ocultá-los devidamente. E a regra número um é pegar um papel e, de frente para um espelho, listar todas as imperfeições do seu corpo. E a segunda regra consiste em trabalhar para esconder esses defeitinhos. E juro, ninguém precisa de cirurgião plástico para isso – basta atentar a algumas dicas e conselhos para melhorar o que Deus, em sua infinita generosidade, nos concede. Jackie, como podemos observar, não era uma mulher perfeita, mas, sim, muito inteligente. Era rica, e isso ajudou a comprar roupas e sapatos, mas tenho certeza de que, mesmo sem um tostão, ela daria um jeito de ser melhor. Vamos aos seus segredos? Mas junto aos macetes, as

     fotos que escancaram as citadas características...

     

    Os joelhos ela escondia sob saias que acabavam logo abaixo deles.  Não nesta foto, claro.

     

    Os olhos separados ela os mantinha domados em seus famosíssimos óculos escuros gigantescos, as sobrancelhas grossas e as laterais do cabelo sempre levantadas, para chamar a atenção para as têmporas.

     

    Seios pequeninos eram escondidos em blazers e vestidos fechados, camisas com babados ou bolsos grandes e spencers em formato quadrado. Ou então, devidamente postos em tomara-que-caia.

     

    O pescoço grosso ganhava colares de pérolas de três voltas, sempre com cabelos que batiam, no máximo, nos ombros, e decotes careca.

     

    Os pés gigantescos tinham sapatos italianos sob medida ou Manolo Blahnik (sim, Carrie Bradshaw teve sua precursora!).

     

    E as mãos estavam, sempre que possível, envolvidas em luvas, com unhas sempre curtas. 

     

    Ela sabia que nunca seria um símbolo sexual, que jamais seria chamada de gostosa (ela deixou a tarefa para Marilyn Monroe). Mas trabalhou seus defeitos com toda a sabedoria e recursos à sua disposição. Tudo isso, incluindo seu peso proporcional, seu porte altivo e seus modos delicados, fizeram dela uma mulher bonita e inspiradora, como todas nós podemos ser. 

     

    Patrícia Poeta, aquela lindeza do Fantástico, só usa vestido no joelho, pois sabe que isso disfarçará suas pernas e coxas grossas. Carolina Ferraz tem seios que mais parecem ovos fritos, mas ela parece uma deusa grega nos seus decotes e transparências delicadas. Sabrina Sato, com seu corpo escultural e sua simpatia, é generosamente servida no assunto “nariz”. Fátima Bernardes possui ombros caídos de dar dó, ocultados pelas ombreiras dos blazers. Laura Pausini tem quadris de lavadeira, que Armani ajudou a domá-los corretamente. Luiza Tomé tem pernas simplesmente horríveis, tortas e desengonçadas. Kate Moss tem os joelhos mais medonhos que eu já vi na vida. Gisele Bündchen esqueceu-se de passar pela fila da cintura e do bumbum, o que faz dela uma professora na arte de empinar o traseiro. Finalmente, Angélica tem uma testa fenomenal, grande o suficiente para que mosquitos façam dela um tobogã (entendeu por que ela usou a tiara daquele jeito no dia do seu casamento?). Sobre cada uma das citadas, falarei no momento oportuno, bem como a arte de disfarçar defeitos.

     

    Eu sei que não dou sustos em ninguém na rua, mas é obvio que conheço minhas limitações. Sou baixinha (1,57m), tenho a ponta do nariz caída, uma testa que compete com a da Maria Bethania (e da Angélica, of course!), o meu dente é tortinho e tenho um bigode chinês que me incomoda há algum tempo. Tento ganhar alguns centímetros a mais com saltos altos, roupas monocromáticas e justas, e para caber nelas procuro sempre me manter magra o suficiente. Como tenho cabelo ondulado (ah, o meu cabelo é o meu xodó!) e não podendo usar franja sem virar escrava da escova, mantenho aquele franjão jogado para o lado, bem maluquinho. Agora, quanto ao dentinho torto e ao bigode chinês, a única coisa que posso fazer é meter batom vermelho na boca e sorrir. E contra o nariz (pequeno, mas levemente adunco) brincos grandes, além de uma dose extra de autoaceitação. O mais difícil foi aceitar a imperfeição do nariz, já que meu perfil não é a sétima maravilha do mundo. Eu não aceitava isso em mim, pois minha mãe é dona de um dos narizes mais lindos que já vi na vida, arrebitado e desafiante – a genética, na questão otorrina, me levou ao lado calabrês e siciliano do meu pai, justo nisso. E para se ter uma idéia de até onde pode chegar a cretinice alheia, alguns com quem topei pela vida fizeram questão de caçoar do meu nariz, e com isso, triturar minha já baixa autoestima (cumpre ressaltar que os “humoristas” em questão não podiam classificados como belos na estética, menos ainda na alma). Muitas mulheres bonitas têm o nariz desse jeito: Luiza Brunet, Patrícia Pillar, Fernanda Tavares, Maria Callas, Stacy London, Rachel Weiz, Diana Kruger, Laura Pausini, Isabella Rosselini, Sabrina Sato, Grazielle, Gisele Bündchen... não existe beleza apenas no nariz arrebitado. Eu sou uma mulher de muita personalidade: o meu nariz também tem, ora, pois! A qualidade do ar que eu respiro, dos cheiros que eu sinto, é muito mais importante do que o formato do meu nariz. Há muito mais no meu rosto, no meu corpo e no meu espírito para fazer a alegria do povo além de um narizinho cirurgicamente construído. Pode ser que um dia baixe uma Malu Mader em mim e eu decida mudar, mas, por enquanto, eu ainda me aceito. 

     

    Compreenderam, classe? Elegância é a arte do ilusionismo. E, uma vez que a elegância é um dom mágico, sinta-se à vontade para ocultar seus defeitos, para fazer deles seus pontos fortes. Porque, cá para nós, força é o que não falta em todas nós. E, sim, um grande amor que leva nosso ego às alturas, também é de grande valia...

     

     

     

     

     



    Escrito por Pingeot às 20h21
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